# Análise da Área de Navegação - Izana Sacramento

## 1. Identificação do Projeto
- **Projetista/Aluna:** Izana Sacramento
- **Tipo de Embarcação:** Saveiro Tradicional da Bahia
- **Área de Atuação:** Baía de Todos-os-Santos (BTS) e Bacia do Rio Jaguaripe
- **Rota Principal:** Salvador ↔ Jaguaripe

---

## 2. Caracterização da Rota Náutica (Salvador ↔ Jaguaripe)
A rota conecta a capital à histórica cidade de Jaguaripe, situada no estuário do Rio Jaguaripe (ao sul da Baía de Todos-os-Santos). O trajeto totaliza aproximadamente **28 a 35 milhas náuticas (MN)** dependendo do ponto de partida e da escolha do canal de passagem.

### Principais Trechos de Navegação:
1. **Trecho 1: Saída de Salvador / Travessia da Baía de Todos-os-Santos (~10 a 14 MN)**
   - Saída pelo Porto de Salvador / Ribeira / Comércio cruzando em direção à Ilha de Itaparica ou contorno pelo Canal de Itaparica.
   - Área de águas relativamente abertas na baía, sujeita a vagas curtas e ventos frescos.
2. **Trecho 2: Canal de Itaparica / Passagem de Aratuípe / Ponta do Garcez (~10 a 12 MN)**
   - Transição entre as águas da baía e o estuário. Navegação com relevo costeiro, baixios de maré e áreas protegidas por manguezais e ilhotas.
3. **Trecho 3: Subida do Rio Jaguaripe até a Cidade de Jaguaripe (~8 a 10 MN)**
   - Navegação estuarina/fluvial pura.
   - Canal sinuoso, margens com manguezais, bancos de vasa e areia, forte influência da amplitude de maré.

---

## 3. Condições Hidrográficas e Meteorológicas
- **Classificação NORMAM:** Navegação Interior (Área 1 nos trechos abrigados e fluviais; Área 2 na travessia central da BTS).
- **Regime de Ventos:**
  - Ventos Alísios predominantes de Leste-Sudeste (E/SE) no outono/inverno e Leste-Nordeste (E/NE) na primavera/verão.
  - Regime de brisas terra-mar bem marcado, com reforço de vento nas tardes (12 a 20 nós).
- **Marés e Correntes:**
  - Regime semidiurno com variações de maré de até ~2,5 a 3,0 m nas sizígias (luas nova e cheia).
  - Correntes de maré expressivas (1,5 a 3,0 nós) nas gargantas de canal e na foz do Rio Jaguaripe.
- **Profundidades e Restrições Críticas:**
  - Travessia da BTS: profundidades amplas e seguras.
  - Foz e calha do Rio Jaguaripe: presença de barras e bancos arenosos/lodosos que exigem atenção na maré baixa.

---

## 4. Diretrizes e Implicações para o Projeto do Casco
- **Calado (T):** Deve ser restrito e moderado (idealmente entre 0,7 m e 1,1 m em carga leve/operacional) para garantir acesso a Jaguaripe sem encalhar nas baixas-mares ou permitir uso de bolina/espada móvel caso necessário.
- **Forma do Casco (Fundo e Proa):**
  - Fundo chato a semi-redondo (típico dos saveiros tradicionais de carga/pesca) com bom espelho de popa ou popa de painel tradicional para boa capacidade de carga e estabilidade de forma inicial.
  - Proa lançada ("de bico mole" ou tradicional) com boa borda livre para cortar o mar picado da baía sem emproar água.
- **Plano Vélico e Manobra:**
  - Tradicional vela de içar (pano redondo / vela de pena) ou adaptada com apoio motorizado auxiliar.
  - Facilidade de bordo para subir o rio contravento ou aproveitar as correntes de maré (navegação de enchente/vazante).
